
Recolha de cápsulas na Suíça
Entrevista com Alexandre John Bolay, Director Técnico e da Qualidade da Nespresso, Suíça
“A Suíça foi o primeiro mercado da Nespresso a recolher cápsulas usadas, já em 1991 ”
Fale-nos um pouco de si.
Tenho 40 anos, sou casado e tenho duas filhas. Nasci em São Paulo, no Brasil, e cheguei à Suíça com 16 anos. Sou engenheiro electrotécnico e tenho um MBA em Gestão Intercultural. A minha carreira profissional inclui gestão, vendas e marketing em várias empresas internacionais. Entrei para a Nespresso Suíça em Fevereiro de 2007 como Diretor Técnico e da Qualidade e fui o primeiro a ter esta função na empresa.
Fale-nos da infraestrutura de reciclagem na Suíça e das implicações na forma como os Membros do Clube podem reciclar as cápsulas usadas.
A Suíça foi o primeiro mercado da Nespresso a recolher cápsulas usadas, já em 1991. Para tornar qualquer sistema de reciclagem um êxito, é importante oferecer aos clientes conveniência e acessibilidade. Isto não é tarefa fácil e depende muito da região, da cultura e do nível de consciencialização ambiental. Na Suíça, conseguimos recolher mais de 70% do volume total de cápsulas vendidas. 77% dos Membros do Clube tem um ponto de recolha num raio de 2 km de sua casa e mais de 96% tem um ponto de recolha num espaço de 10 km.
A rede suíça de reciclagem de cápsulas é inteiramente financiada e gerida pela Nespresso e é dirigida por uma equipa de quatro funcionários da Nespresso, incluindo eu próprio. É formada por 2283 contentores públicos de reciclagem e dezoito Boutiques equipadas com os seu próprio espaço de reciclagem. Esta rede é servida por mais de cinquenta parceiros de recolha e duas fábricas de tratamento, o que garante a recolha das cápsulas dos contentores de reciclagem, transportadas para a fábrica de tratamento, onde o alumínio é separado da borra de café de forma eficiente e com o menor impacto ambiental possível.
Na Suíça, após ser separado das borras de café, o alumínio é compactado e enviado para uma fábrica de fundição, onde é transformado num material chamado "alumínio secundário". Quanto às borras de café, como têm grande potencial calorífico e de metanização, têm sido utilizadas desde 2010 como fertilizante, mas desenvolvemos também, juntamente com parceiros locais, a possibilidade de as usar na produção de energia ecológica. O metano pode ser usado na produção de energia ecológica e as borras de café podem ser transformadas em acendalhas em forma de barras e bolas para o aquecimento doméstico.
Já levou a cabo iniciativas específicas para aumentar a capacidade da Nespresso na recolha de cápsulas usadas? Em caso afirmativo, fale-nos sobre elas.
Trabalhamos em estreita colaboração com ONGs e cooperativas, tais como a Igora (www.igora.ch), para nos ajudar a aumentar a consciencialização para as vantagens ambientais da reciclagem do alumínio junto dos meios de comunicação social, autoridades locais e entre os consumidores em geral. Estamos presentemente a trabalhar num projecto muito estimulante com o nosso parceiro La Coulette, mas vai ter de estar atento a este espaço para obter mais informações sobre este assunto!
A Nespresso pretende pôr em prática sistemas de recolha para triplicar a capacidade de recolha para reciclagem de cápsulas usadas, atingindo 75% até 2013. Quais são os seus planos para ajudar a garantir que este objectivo é alcançado?
Na Suíça, a nossa capacidade de recolha de cápsulas usadas já atingiu mais de 70%. É um grande feito, mas estamos ansiosos por ultrapassar a meta definida e a trabalhar num projecto para o conseguir. Vamos atingir este ambicioso objectivo através da nossa capacidade de recolha das cápsulas usadas das casas dos nossos Membros do Clube.
O seu trabalho no âmbito da reciclagem para a Nespresso afecta a sua atitude pessoal relativamente à reciclagem em casa?
Tomei consciência da importância da reciclagem em 1998, quando me mudei dos EUA para Gebensdorf, na Suíça. Nesta cidade, as pessoas pagam impostos em função da quantidade de resíduos que produzem. Na realidade, as pessoas pagam impostos com base nos sacos de plástico. Para uma família de quatro pessoas, rapidamente se tornou bastante caro deitar tudo fora no mesmo saco de plástico. Por isso, na família, começámos a separar o papel, o vidro, o alumínio, as latas e outras coisas. Eu comecei a reciclar por causa do custo, mas agora tornou-se um hábito.
Desde que entrei para a Nespresso em 2007, tive a excelente oportunidade de conhecer todo o tipo de pessoas que estão envolvidas em questões ambientais diariamente. Consequentemente, aprendi que reciclar não é uma questão de dinheiro ou marketing, mas que o ambiente é uma preocupação fulcral para a Nespresso. Enquanto empresa, a Nespresso está não só empenhada em reciclar cápsulas usadas, mas também está a investir muitos recursos financeiros e humanos na optimização de todos os processos em toda a sua actividade, desde o produtor até à reutilização das cápsulas, de forma a reduzir o seu impacto ambiental e assegurar que seremos uma empresa sustentável, que beneficia as gerações actuais e futuras.
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